Inteligência Artificial no Mercado Imobiliário: Por Que O Processo Vem Antes da Tecnologia Especialistas em webinar da Loft discutem como a Inteligência Artificial e a gestão da carteira de clientes transformam o mercado imobiliário e exigem processos bem definidos.
Meu caro, a tecnologia avança mais rápido que trem bala em linha reta, mas no mercado imobiliário a prosa continua sendo no olho no olho. Aqui no Aqui Goiás, a gente gosta de olhar para as novidades do setor com aquela dose de café fresco e muito pé no chão. Afinal, falar em Inteligência Artificial é bonito, mas transformar inovação em negócio sólido exige entender primeiro como a casa funciona por dentro, poiis o sucesso de uma imobiliária sempre vai depender da confiança que ela constrói com quem confia seus sonhos a ela.
Abaixo, você confere na íntegra a discussão promovida por especialistas do setor para entender os rumos da tecnologia e do atendimento.
Para especialistas, imobiliárias devem estudar os processos antes de implementar soluções de IA
A Inteligência Artificial pode automatizar tarefas operacionais nas imobiliárias, mas o relacionamento com o cliente e a capacidade de identificar novas oportunidades na própria carteira continuarão sendo diferenciais dos corretores. Essa foi uma das mensagens de um webinar promovido em outubro pela Loft para profissionais do setor, que também compartilhou aprendizados do Blueprint Vegas 2026, evento global de inovação e tecnologia para o mercado imobiliário e a construção.
Para Patricia Schiavo, vice-presidente comercial da Loft, uma das principais oportunidades está em aproveitar melhor os relacionamentos que as imobiliárias já construíram. “A imobiliária tem muita informação do inquilino, fala com ele todo mês e sabe onde mora, em qual imóvel e o perfil familiar desse inquilino. Mas, na hora que o cliente está procurando um imóvel para comprar, ele vai na área de vendas e o relacionamento começa do zero”, afirmou.
A executiva defendeu deixar de enxergar cada operação como uma transação isolada e passar a tratar a pessoa como um cliente único, identificando suas necessidades ao longo do tempo. “A provocação que fica é que talvez a gente devesse gastar menos tempo procurando novos clientes e usar um pouco desse tempo aprendendo com os clientes que estão na base da imobiliária ou já passaram”, disse Schiavo.
Cézar Haik, CEO da A Trinca Real Estate, reforçou o potencial comercial dessa estratégia. Em uma ação com um parceiro, segundo relatou, a orientação foi abrir a agenda telefônica, selecionar os primeiros 50 contatos e oferecer os serviços. A tática resultou em 50 vendas. “É muito mais caro trazer cliente novo do que vender para quem já é cliente”, resumiu.
Para Haik, o corretor que limita sua atuação à comissão da compra e venda deixa de aproveitar oportunidades que surgem depois da transação. O cliente, exemplificou, pode precisar de financiamento, mudança, seguro-fiança ou serviços de arquitetura, por exemplo.
Diferenciais em um mercado imobiliário cada vez mais padronizado
Além de aproveitar a carteira existente, os corretores precisam encontrar formas de se diferenciar em um mercado no qual os anúncios e o atendimento tendem a se parecer cada vez mais. Haik observou que vídeos e descrições de imóveis seguem padrões semelhantes, inclusive com a disseminação de ferramentas de Inteligência Artificial. “Empresas que quebram os padrões se destacam. Se você pensar diferente, não precisa ser necessariamente a coisa mais competente ou mais inteligente, já vai conseguir”, afirmou.
A especialização é outro caminho apontado pelo executivo. Com o acesso facilitado à informação, o cliente chega mais preparado para a negociação, conhecendo características do imóvel e da localização. Nesse cenário, o diferencial do corretor está no conhecimento específico do tipo do imóvel e na capacidade de demonstrar essa bagagem.
Para Felipe Morgado, VP da fintech Loft, a Inteligência Artificial pode retirar atividades operacionais da rotina e permitir que corretores e imobiliárias se dediquem mais ao atendimento e à construção de confiança. “Muita gente se apaixona pelo assunto IA e pula direto para a última etapa, de utilização da tecnologia, mas a gente tem de começar do início, ter os processos bem definidos, as regras de negócio”, afirmou.
Morgado citou como exemplos de aplicação da tecnologia as simulações instantâneas de crédito pelo WhatsApp e o uso de IA em processos de aprovação e análise de documentos. O executivo ressaltou que a escolha de uma ferramenta deve partir de uma necessidade concreta da operação, e não do entusiasmo com uma novidade. “Gastem um pedaço menor de energia para experimentar coisas novas, e invistam mais tempo para implementar coisas que já estão provadas na operação de vocês”, recomendou.
Tecnologia para simplificar a jornada do cliente
As oportunidades de melhora da eficiência operacional também foram destacadas por Lígia Gutierrez, VP de Real Estate Buying & Selling da Loft. Para ela, o debate sobre Inteligência Artificial precisa considerar toda a jornada de compra e venda, identificando etapas que podem ser simplificadas e tarefas que consomem tempo sem contribuir diretamente para o atendimento. “Mais do que IA, é entender o processo de ponta a ponta para ajudar a liberar os corretores de trabalho repetitivo”, afirmou.
A simplificação não implica em eliminar os intermediários. Patricia Schiavo ressaltou que o mercado imobiliário continua sendo um negócio relacional e que a digitalização deve facilitar a experiência, sem desconsiderar o papel dos profissionais.
Leonardo Urso, vice-presidente de SaaS da Loft, ampliou a discussão para o período posterior à compra ou à venda. “Como o imóvel pode representar a maior parte do patrimônio de uma pessoa, a relação com a imobiliária não deveria terminar na conclusão da transação”, disse. Urso também chamou a atenção para a diferença entre experimentar uma inovação e incorporá-la à rotina. A adoção acontece quando a ferramenta deixa de ser usada pontualmente e passa a fazer parte da operação.
Carteira de clientes como ativo estratégico
Nas perguntas da plateia, os participantes retomaram a necessidade de colocar o cliente no centro dos processos e de oferecer serviços complementares sem tornar a experiência comercial invasiva.
Schiavo reforçou a importância de tratar a carteira de clientes como um ativo estratégico. A executiva citou um dado apresentado no Blueprint Vegas 2026: em pesquisa, 88% das pessoas disseram que voltariam a usar ou indicariam corretores, mas apenas 13% efetivamente fizeram isso. “Integrada ao CRM, a tecnologia permite analisar conversas e perfis e priorizar os clientes que parecem estar mais próximos do momento adequado para um contato comercial”, disse.
Artigo original publicado por Loft em www.loft.com.br
Análise e Perspectivas do Curador
O Perigo de Pular Etapas com a Inovação
Reflexão: O erro mais comum no mercado atual é a ânsia de adotar ferramentas de ponta sem antes arrumar a casa. A tecnologia não conserta processos falhos; ela apenas acelera o caos. Como bem pontuado pelos executivos da Loft, o segredo está em estruturar regras de negócio claras antes de acionar qualquer algoritmo.
A Base de Clientes como Mina de Ouro
Reflexão: Gastar fortunas para captar novos clientes enquanto o histórico de inquilinos e antigos compradores é ignorado é um desperdício crasso. Tratar a base de dados como um ativo vivo e relacional é o grande divisor de águas para as imobiliárias que desejam escalar com eficiência e menor custo de aquisição.
Perguntas para reflexão:
- Sua imobiliária utiliza os dados dos contratos atuais para antecipar novas necessidades dos clientes?
- Os processos internos estão maduros o suficiente para absorver automações sem gerar atrito no atendimento humano?
O Veredito e Lições Práticas
Em um cenário onde ferramentas digitais padronizam discursos e materiais de divulgação, o diferencial competitivo volta a ser o que sempre foi: a autenticidade humana unida à inteligência operacional. Ferramentas de Inteligência Artificial servem para liberar tempo do corretor, permitindo que ele foque no que realmente importa, que é o vínculo de confiança com o cliente.
- Arrume a casa primeiro: Defina processos e regras claras antes de investir em novas tecnologias de automação.
- Valorize sua base atual: Monitore o histórico de quem já negocia ou negociou com sua imobiliária para gerar novas oportunidades de vendas com custo reduzido.
- Foque no relacionamento pós-venda: A jornada do cliente não acaba no fechamento do contrato; o acompanhamento contínuo garante indicações futuras e fidelização.
Na sua opinião, o corretor de imóveis tradicional corre o risco de perder espaço para plataformas automatizadas ou a essência do atendimento humanizado ainda é insubstituível? Deixe sua visão nos comentários.
Fonte Original: www.loft.com.br
Autor Original: Equipe Editorial Loft
Nota do Curador: Este conteúdo foi selecionado por sua relevância e enriquecido com nossa análise editorial no Aqui Goiás para trazer mais contexto e profundidade ao leitor.
Artigo original publicado por Loft em www.loft.com.br
