Multipropriedade ou casa com amigos? Veja diferenças e riscos da compra compartilhada Descubra as principais diferenças, vantagens e riscos entre a multipropriedade imobiliária e a compra compartilhada com amigos para imóveis de lazer. Análise completa com foco em segurança jurídica e financeira.
Fala, meu caro! Seja muito bem-vindo ao portal Aqui Goiás. Se você já parou para pensar em como seria ter aquele cantinho na praia ou no interior para o descanso do fim de semana sem precisar arcar com o peso de um financiamento sozinho, poiss, essa conversa é exatamente para você. Analisamos detalhadamente os caminhos que o mercado imobiliário oferece hoje para dividir as despesas de lazer, colocando na balança o modelo profissional da multipropriedade e a tradicional união entre amigos. Afinal, antes de assinar qualquer contrato e desembolsar seu dinheiro, é fundamental entender onde você está pisando.
O Costão Estaleirinho está sendo construído na Praia do Estaleirinho, em Balneário Camboriú (SC). Voltado à multipropriedade, projeto terá 176 apartamentos mobiliados, com 44 metros quadrados ou 54 metros quadrados, divididos em 26 frações cada Imagem:Divulgação Comprar um imóvel para passar férias não exige necessariamente adquirir uma casa ou um apartamento inteiro e arcar sozinho com todos os custos de manutenção. Há outras maneiras de dividir as despesas de uma propriedade de lazer, como a multipropriedade, em que o comprador adquire o direito de usar o imóvel em determinados períodos do ano, e a compra compartilhada, na qual amigos ou familiares se tornam donos do mesmo bem. Embora as duas modalidades permitam dividir despesas e aproveitar um imóvel de férias, elas têm diferenças importantes na forma de aquisição, no direito de uso e na relação entre os proprietários. Os custos variam conforme o imóvel e o modelo escolhido. Na multipropriedade, o comprador adquire uma fração de tempo e tem direito de usar uma unidade durante determinado período do ano, que pode corresponder a dias ou semanas. Essa participação tem matrícula própria no registro de imóveis. Na compra compartilhada entre amigos, os participantes são coproprietários do imóvel inteiro, cada um com uma parte do patrimônio. Nos dois casos, é preciso organizar a divisão dos períodos de uso. A escolha depende do que o comprador procura. A multipropriedade oferece uma estrutura de hospedagem e administração, geralmente com serviços de hotelaria e possibilidade de intercâmbio de férias. Já a compra conjunta dá ao grupo mais liberdade para organizar a utilização da casa, mas exige decisões em comum sobre manutenção, reformas, locação e eventual venda. Apesar das diferenças, os dois modelos têm atraído interessados em dividir o custo de um imóvel de lazer. Multipropriedade ou compra compartilhada: o que mudaOs dois modelos dividem o custo de um imóvel de férias, mas funcionam de formas diferentes MultipropriedadeCompra compartilhada O que se compraMultipropriedadeUma fração de tempo: o direito de usar a unidade por, no mínimo, sete dias por ano, seguidos ou nãoCompra compartilhadaUma parte ideal do imóvel inteiro. Com quatro donos em partes iguais, cada um tem 25% Base legalMultipropriedadeLei nº 13.777/2018, que incluiu regras específicas no Código CivilCompra compartilhadaCondomínio voluntário, previsto no Código Civil a partir do artigo 1.314 MatrículaMultipropriedadeCada fração tem matrícula própria no registro de imóveisCompra compartilhadaO imóvel tem uma matrícula, com todos os donos Direito de usoMultipropriedadeExclusivo no período da fração. O calendário pode ser fixo, flutuante ou mistoCompra compartilhadaDepende de acordo. Sem ele, a fração ideal não garante Natal, Réveillon ou férias escolares AdministraçãoMultipropriedadeEm geral hoteleira, com possibilidade de intercâmbio de fériasCompra compartilhadaFeita pelos próprios donos, que decidem juntos sobre manutenção, reformas, locação e venda DespesasMultipropriedadeCota de manutenção proporcional à participação, conforme as regras do empreendimentoCompra compartilhadaIPTU, condomínio, manutenção e caseiro divididos entre os donos conforme a participação Amigos também podem instituir formalmente a multipropriedade de um imóvel, desde que sigam a Lei nº 13.777/2018. Fonte: Lei nº 13.777/2018, Código Civil e especialistas consultados pelo Portas Tamanho dos mercados e características No caso da multipropriedade, o mercado brasileiro reúne 224 empreendimentos em 99 cidades de 18 estados, segundo levantamento de abril de 2026 da Caio Calfat Real Estate Consulting. A compra compartilhada também é comum, sobretudo em imóveis no litoral, mas não há dados oficiais sobre o tamanho desse mercado. Os valores envolvidos variam bastante. Uma das razões para as diferenças entre os modelos está na legislação que regulamenta cada tipo de aquisição. A multipropriedade imobiliária foi regulamentada no Brasil pela Lei nº 13.777, de 2018, que incluiu regras específicas no Código Civil. Nesse modelo, um mesmo imóvel tem vários proprietários, cada um titular de uma fração de tempo, ou seja, uma parte da propriedade expressa em percentual. O direito de uso é exclusivo durante o período correspondente à participação adquirida. Cada fração de tempo funciona como uma unidade autônoma e tem matrícula própria no registro de imóveis. Portanto, o comprador não está apenas adquirindo um pacote de hospedagens ou uma assinatura de clube de férias, já que ele passa a ter direito de propriedade sobre uma parte temporal daquele imóvel. A compra compartilhada entre amigos funciona de outra maneira. Os participantes adquirem juntos uma casa ou um apartamento e cada um passa a deter uma parte ideal do imóvel. Se quatro pessoas comprarem uma propriedade em partes iguais, por exemplo, cada uma terá 25% do patrimônio. Isso não significa que cada proprietário seja dono de um cômodo ou de uma área específica da casa. O modelo é chamado de condomínio voluntário e está previsto no Código Civil. Multipropriedade no Brasil em númerosLevantamento de abril de 2026 da Caio Calfat Real Estate Consulting 224empreendimentos99cidades18estados+44 milunidades habitacionais1,26 milhãofrações imobiliárias (aprox.)R$ 100,5 biVGV potencial dos projetos em comercialização Empreendimentos mais que dobraram desde 2020 2020109 2026224 Estoque recuou para 34% em 2026 202453% a 54% 202553% a 54% 202634% Situação dos 224 empreendimentos 1198421 ProntosEm construçãoEm lançamento Fonte: Caio Calfat Real Estate Consulting, com dados do setor para 2020 Como todos são donos do mesmo imóvel, precisam combinar como serão divididos os períodos de uso e as despesas. Sem um acordo prévio, a fração ideal não garante, por si só, o direito de passar o Natal, o Réveillon ou as férias escolares na propriedade. Especialistas em direito consultados pelo Portas para esta reportagem explicam que amigos também podem instituir formalmente a multipropriedade de um imóvel, desde que sigam as regras da Lei nº 13.777/2018. Por que a multipropriedade cresceu no Brasil O crescimento da multipropriedade está relacionado a diferentes fatores. Um deles é a possibilidade de comprar uma participação em um imóvel de padrão superior ao que o consumidor conseguiria adquirir sozinho. Em vez de pagar o preço integral de uma casa ou apartamento de férias, o comprador paga por uma fração correspondente a determinado período de uso. Outro atrativo é dividir os custos de manutenção. Em empreendimentos administrados por redes hoteleiras, o proprietário não precisa organizar sozinho serviços como limpeza, conservação e operação. Também existe a possibilidade de trocar o período de utilização por hospedagens em outros destinos, conforme as regras da empresa de intercâmbio e
